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O segredo da navegação dos pombos estava escondido no fígado

Raphael· 07 de junho de 2026
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O segredo da navegação dos pombos estava escondido no fígado

Ciência & Natureza

O segredo da navegação dos pombos estava escondido no fígado

Células do sistema imune carregadas de ferro podem funcionar como uma bússola interna nas aves — uma descoberta que muda o que sabíamos sobre orientação animal.

31 de maio de 2026 · Max Planck Institute of Animal Behavior · Science, vol. 392

Por décadas, cientistas tentaram entender como um pombo consegue voar centenas de quilômetros e encontrar o caminho de volta para casa com precisão quase impossível. Teorias apontavam para os olhos, o bico, o cérebro. Nenhuma resistia ao teste experimental.

Um estudo publicado na revista Science em maio de 2026 trouxe a resposta — e ela estava num lugar que ninguém esperava: o fígado.

Uma bússola feita de ferro

O fígado destrói glóbulos vermelhos velhos e, nesse processo, acumula ferro em células imunes chamadas macrófagos. Esse ferro se cristaliza em nanopartículas de óxido, tornando as células superparamagnéticas — extremamente sensíveis a campos magnéticos. Na prática, funcionam como minúsculas bússolas dentro do corpo.

"Não esperávamos que células imunes pudessem agir como sensores de campo magnético. Nossos resultados revelam um mecanismo anteriormente desconhecido de percepção magnética em animais." — Prof. Christian Kurts, Universidade de Bonn

O experimento

Pesquisadores removeram os macrófagos do fígado de pombos treinados e os soltaram a mais de 20 km do pombal. Em dias nublados, as aves perderam o senso de direção. Em dias ensolarados, voltaram normalmente — usando o sol como referência alternativa. A conclusão: quando a luz solar falha, o campo magnético da Terra assume, e o fígado é indispensável para isso.

E os humanos?

A descoberta vai além das aves. Os pesquisadores especulam que outros animais — e talvez nós mesmos — possam responder a campos magnéticos de formas ainda não compreendidas. O fígado, até então associado apenas ao metabolismo, acaba de ganhar um papel completamente inesperado na biologia sensorial.

Fonte: Lisowski et al., Science 392, 985 (2026). DOI: 10.1126/science.ady2486